Controle de acesso em eventos é o conjunto de regras, pessoas e tecnologia que garante que só entra quem tem ingresso válido, uma única vez, no dia certo. Na prática: ingresso individual com QR Code, equipe treinada, busca por nome como contingência e leitura offline para quando a internet falhar.
O que é controle de acesso em eventos (e o que ele precisa garantir)
Controle de acesso é tudo o que acontece entre a pessoa chegar à porta e entrar com permissão: conferir o ingresso, registrar a entrada, direcionar e resolver problemas sem travar a fila.
Credenciamento é entregar a identificação, como crachá ou pulseira (veja crachá e credenciamento de evento). Check-in é registrar a entrada; a leitura do QR Code está em check-in por QR Code. Aqui o foco é o planejamento da portaria.
Os 4 níveis: ingresso válido, pessoa certa, área certa, dia certo
Pense em quatro perguntas que a portaria responde em segundos.
| Nível | Pergunta | Ferramenta na SuperTixs |
|---|---|---|
| Ingresso válido | Esse ingresso existe, é deste evento e não foi cancelado? | Leitura do QR Code; recusa de ingresso cancelado ou transferido |
| Pessoa certa | Quem está na fila é o titular? | Nome na tela após a leitura; busca por nome ou e-mail; documento quando o evento exigir |
| Área certa | O tipo de ingresso vale nesta entrada? | Ingressos permitidos por aparelho; pulseira para áreas internas |
| Dia certo | O ingresso vale hoje? | Seletor de dia em eventos de vários dias; aviso de Data incorreta |
O nível "pessoa certa" é o mais sensível: a leitura confirma que o ingresso é válido, mas só a conferência humana, ou um documento quando o evento pedir, confirma que quem apresenta é o titular. Defina de antemão se haverá documento e avise na página de venda.
Dimensione a portaria: quantas filas e pessoas por público esperado
O erro mais comum é dimensionar pela lotação. O que importa é a janela de chegada: em quanto tempo o público realmente chega. Em um show, a chegada pode se concentrar em meia hora; em um congresso, tende a se espalhar por mais tempo.
pontos de leitura = público esperado ÷ (pessoas por minuto de um ponto × minutos da janela de pico)
Para ilustrar, use 8 pessoas por minuto por ponto (cerca de 7 a 8 segundos por pessoa) e um pico de 60 minutos. Meça o ritmo real da sua equipe no teste e troque a premissa.
Tabela de referência de pontos de leitura
| Público esperado | Pontos de leitura pela conta | Com 1 ponto de reserva |
|---|---|---|
| 300 | 1 | 2 |
| 1.000 | 3 | 4 |
| 3.000 | 7 | 8 |
| 5.000 | 11 | 12 |
Cada ponto precisa de um operador com celular carregado. Some um coordenador que circula pela fila e uma mesa de atendimento para quem não passa na leitura (ingresso em outra conta, nome com erro, QR Code ilegível). Três decisões reduzem a fila: um fiscal pedindo o QR Code aberto e o brilho no máximo, filas separadas por tipo de ingresso e uma fila só para quem tem problema.
Equipe e permissões: quem pode ler, quem vê o financeiro
Quem opera a portaria não precisa ver vendas nem dinheiro. Na SuperTixs, a equipe é cadastrada em Acessos e Funções, com uma função por e-mail em cada evento:
| Função | O que acessa |
|---|---|
| Operador de Check-in | Painel e check-in. Não vê vendas nem financeiro. |
| Ponto de Venda | Vendas presenciais e check-in |
| Supervisor | Visualização de vendas e relatórios, sem editar configurações |
| Financeiro | Vendas, relatórios e dados financeiros |
Cadastre toda a equipe da portaria, inclusive o coordenador, como Operador de Check-in: a função Supervisor vê vendas e relatórios, mas não abre o Credenciamento. Faça isso com antecedência e teste o acesso no celular que cada pessoa vai usar.
Tecnologia: o que decidir antes do dia
O funcionamento da leitura, tela a tela, está em check-in por QR Code. Aqui ficam as escolhas que a coordenação precisa fechar no planejamento.
- Caminho principal e reserva. Defina que a leitura pela câmera é o caminho principal, que a busca por nome ou e-mail na tela Credenciamento é o segundo caminho e que uma lista de contingência é o terceiro. Tenha a lista em um segundo aparelho ou impressa, só com as colunas necessárias, e destrua a folha depois do evento. Quem tem a permissão Exportar baixa a lista pelo painel.
- Plano para a conexão. Decida quem prepara o check-in em cada aparelho, com internet boa e perto da abertura dos portões, e em que situação a equipe ativa o modo venue offline. Aparelhos offline não veem as leituras uns dos outros: no plano B, separe as entradas por tipo de ingresso e volte ao modo online assim que possível.
- Quem acompanha o medidor. O Medidor de check-in, no topo da tela, mostra o total de ingressos, os check-ins e os cancelados, o percentual de ingressos válidos que já entraram e o detalhamento por tipo. Indique quem o acompanha para redistribuir a equipe conforme a fila.
Teste a câmera de cada aparelho antes do dia. No iPhone, se ela não abrir, confira em Ajustes se o navegador tem permissão para usar a câmera.
Eventos de vários dias e áreas restritas
Em evento com mais de um dia, o Credenciamento mostra um seletor com os dias e a opção "Todos os dias". Para ler pela câmera, o operador precisa escolher um dia específico; sem isso, a tela pede "Selecione um dia".
No ingresso, o campo Dias disponíveis define em quais dias ele vale (todos os dias marcados formam um passaporte). Ingresso de outro dia aparece como Data incorreta, e ingresso já lido no dia aparece como Já utilizado neste dia, mas entra normalmente no dia seguinte.
Para limitar o que cada entrada aceita, abra as opções da câmera e use Ingressos permitidos: marque os tipos que aquele aparelho pode validar. Sem seleção, todos são liberados; com seleção, outro tipo aparece como "Ingresso não permitido nesta entrada". A escolha fica salva no próprio aparelho.
E as áreas internas, como VIP e backstage?
O ingresso registra uma entrada por dia. Depois que ele entrou, uma nova leitura na porta do VIP apareceria como já utilizado, então a plataforma não serve de segunda barreira. O jeito prático é uma pulseira ou credencial por categoria, entregue na entrada principal a quem tem direito, de acordo com o tipo de ingresso. A barreira interna fica visual e rápida.
Itens adicionais e retiradas na entrada (camiseta, kit, pulseira)
Itens adicionais não têm QR Code próprio. Se alguém tentar ler um deles, a tela avisa que "Itens adicionais são validados pela lista, não por QR Code". O participante entra pela leitura do ingresso; a equipe abre a aba Adicionais do Credenciamento, localiza a pessoa e marca a validação ao entregar o item (se marcou errado, dá para resetar). A aba filtra por tipo de adicional e separa produtos físicos (camiseta, kit) de acessos. Nas opções da câmera, a caixa Validar adicionais mostra a validação logo depois do check-in. Em eventos com muita retirada, monte uma mesa separada. Veja itens adicionais no ingresso.
Fraude e duplicidade: o que a portaria precisa decidir
A defesa contra fraude começa antes da portaria: vender só pelo canal oficial, com ingresso ligado a um titular. O Decreto 13.108/2026 pede do comercializador primário mecanismos de vinculação individualizada de ingressos (art. 4º, II) e mecanismos técnicos contra duplicação, falsificação e circulação por meios não autorizados (art. 4º, III). Essas obrigações do art. 4º valem desde vinte dias após a publicação do decreto, assinado em 31 de agosto de 2026 e publicado em 1º de setembro (art. 26, I).
Na portaria, o planejamento precisa responder duas perguntas: o que a equipe faz quando a leitura recusa um ingresso (por exemplo, "Já utilizado") e quem decide os casos duvidosos. Defina um responsável por turno para essas decisões e um ponto de atendimento fora da fila para resolvê-las. A lista das respostas que o leitor mostra está em check-in por QR Code, e os golpes mais comuns em ingresso falso e cambismo: como evitar.
A transferência é gratuita pela plataforma e o titular anterior perde o acesso, o que reduz a venda do mesmo ingresso a duas pessoas.
Dados e LGPD na portaria
A portaria lida com nome, e-mail e, às vezes, documento. Três regras, com base na Lei 13.709/2018:
- Mostre e colete o mínimo necessário para a finalidade (art. 6º, III).
- Cuidado com biometria. Dado biométrico ligado a uma pessoa é dado pessoal sensível (art. 5º, II), com hipóteses de tratamento mais restritas (art. 11). O fluxo deste guia usa QR Code e busca por nome, sem biometria. Se o local propõe reconhecimento facial, peça à empresa a base legal e a avaliação de risco antes de aceitar.
- Proteja e descarte. Listas impressas e planilhas exportadas exigem segurança (art. 46) e eliminação quando a finalidade termina (arts. 15 e 16).
O guia LGPD para produtores de eventos detalha o que informar ao participante.
Lotação e segurança: o que o Corpo de Bombeiros espera
A lotação não é uma decisão comercial. A Lei 13.425/2017 diz que cabe ao Corpo de Bombeiros Militar planejar, analisar, vistoriar, aprovar e fiscalizar as medidas de prevenção e combate a incêndio e a desastres em áreas de reunião de público (art. 3º). O alvará de licença ou autorização do município fica condicionado às exigências do laudo dos Bombeiros e à validade dele (art. 4º, V e § 2º), e o laudo pode exigir bombeiros civis e equipe treinada (art. 4º, § 3º). Em situação de alto risco, o local pode ser interditado na hora (art. 5º, § 4º).
O que isso muda na portaria:
- Descubra o limite com o dono do local. O número de pessoas costuma constar nos documentos de licenciamento (em vários estados, algo como o AVCB, Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros; o nome varia). Peça o documento antes de abrir as vendas.
- Some tudo. O limite vale para o total de gente dentro: ingressos pagos, cortesias, convidados, equipe, artistas e fornecedores. Ao criar os estoques, deixe uma folga.
- Acompanhe em tempo real. O Medidor de check-in mostra quantos já entraram. Combine antes quem pode suspender a entrada perto do limite.
- Saídas livres. A fila de entrada nunca pode bloquear rota de saída.
Normas estaduais e municipais complementam a lei federal (art. 7º), e locais com ocupação potencial de 100 pessoas ou mais ficam sujeitos às normas especiais (art. 2º, § 1º). Confirme as exigências da sua cidade com o órgão local.
Roteiro do dia, hora a hora (checklist)
Use os horários relativos à abertura dos portões e adapte ao seu evento.
Na semana anterior
- [ ] Equipe cadastrada em Acessos e Funções, todos com acesso testado
- [ ] Teste de leitura com ingresso real, cancelado e já usado
- [ ] Limite de público confirmado com os documentos do local
- [ ] Lista de contingência exportada e guardada com o coordenador
- [ ] Carregadores e power banks separados
2 horas antes
- [ ] Preparar check-in em todos os aparelhos, com internet boa
- [ ] Ingressos permitidos definidos em cada ponto de leitura
- [ ] Dia correto selecionado (eventos de vários dias)
- [ ] Filas sinalizadas e equipe orientada sobre quem não passa
30 minutos antes
- [ ] Preparar check-in de novo, para pegar vendas recentes
- [ ] Fiscal de fila posicionado para pedir o QR Code aberto
- [ ] Mesa de atendimento e mesa de retirada de adicionais abertas
- [ ] Coordenador com o Medidor de check-in na tela
Durante a entrada
- [ ] Revezar operadores e anotar problemas recorrentes
- [ ] Se a internet cair: Modo venue offline e entradas separadas por tipo
Depois
- [ ] Sair do modo offline, conferir leituras pendentes e destruir listas impressas
- [ ] Usar os números do Medidor de check-in no relatório pós-evento
Veja também o checklist para produtores de eventos, a lista de presença, as soluções para festivais e a central de ajuda do produtor.
Dúvidas frequentes
Preciso de catraca ou leitor especial? Não. O check-in da SuperTixs usa a câmera do celular.
E quem perdeu o ingresso? Busque pelo nome ou e-mail no Credenciamento, confira o documento e registre com Fazer check-in.
Monte a equipe de portaria e teste o check-in antes do evento no painel da SuperTixs. Criar e publicar o evento não tem custo e não há mensalidade.




